Sempre na minha mente e no coração...

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domingo, 20 de agosto de 2017

POETISA CORA CORALINA - Coração é Terra que Ninguém Vê



Coração é Terra que Ninguém Vê 

Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri. 


Quis ser um dia, jardineira
de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei. 


Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão 


Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...


https://www.pensador.com/poemas_de_cora_coralina/

QUEM FOI CORA CORALINA


QUEM FOI CORA CORALINA


Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade.
Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

BIOGRAFIA

Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, adotou o pseudônimo de Cora Coralina, era filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de dona Jacyntha Luiza do Couto Brandão. Ela nasceu e foi criada às margens do Rio Vermelho. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, tendo sido uma das primeiras edificações da antiga Vila Boa (Goiás). Começou a escrever os seus primeiros textos aos 14 anos, publicando-os posteriormente nos jornais da cidade de Goiânia, e nos jornais de outras cidades, como constitui exemplo o semanário “Folha do Sul” da cidade goiana de Bela Vista e nos periódicos de outros rincões, assim como a revista A Informação Goiana do Rio de Janeiro, que começou a ser editada a 15 de julho de 1917. Apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries, com a Mestra Silvina (Mestre-Escola Silvina Ermelinda Xavier de Brito (1835 – 1920)). Conforme Assis Brasil, na sua antologia “A Poesia Goiana no Século XX” (Rio de Janeiro: IMAGO Editora, 1997, página 66), “a mais recuada indicação que se tem de sua vida literária data de 1907, através do semanário ‘A Rosa’, dirigido por ela própria e mais Leodegária de Jesus, Rosa Godinho e Alice Santana.” Todavia, constam trabalhos seus nos periódicos goianos antes dessa data. É o caso da crônica “A Tua Volta”, dedicada ‘Ao Luiz do Couto, o querido poeta gentil das mulheres goianas’, estampada no referido semanário “Folha do Sul”, da cidade de Bela Vista, ano 2, n. 64, p. 1, 10 de maio de 1906. No jornal Tribuna Espírita – Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 1905.
Ao tempo em que publica essa crônica, ou um pouco antes, Cora Coralina começa a frequentar as tertúlias do “Clube Literário Goiano”, situado em um dos salões do sobrado de dona Virgínia da Luz Vieira. Que lhe inspira o poema evocativo “Velho Sobrado”. Quando começa então a redigir para o jornal literário “A Rosa” (1907). Publicou, nessa fase, em 1910, o conto Tragédia na Roça.
Em 1911, foi para o estado de São Paulo com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Bretas, que exercia o cargo de Chefe de Polícia, equivalente ao de secretário da Segurança, do governo do presidente Urbano Coelho de Gouvêa – 1909 – 1912, onde viveu durante 45 anos, inicialmente no município de Jaboticabal onde nasceram seus seis filhos: Paraguaçu, Eneas, Cantídio, Jacyntha, Ísis e Vicência. Ísis e Eneas morreram logo depois de nascer. Em (1924), mudou para São Paulo. Ao chegar à capital, teve de permanecer algumas semanas trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 haviam parado a cidade.
Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a Praça do Patriarca. Seu filho Cantídio participou da Revolução Constitucionalista de 1932.
Com a morte do marido, passou a vender livros. Posteriormente, mudou-se para Penápolis, no interior do estado, onde passou a produzir e vender linguiça caseira e banha de porco. Mudou-se em seguida para Andradina, cidade que atualmente, mantém uma casa da cultura com seu nome, em homenagem. Em 1956, retorna a Goiás.
Ao completar 50 anos, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como “a perda do medo”. Nessa fase, deixou de atender pelo nome de batismo e assumiu o pseudônimo que escolhera para si muitos anos atrás.
Durante esses anos, Cora não deixou de escrever poemas relacionados com a sua história pessoal, com a cidade em que nascera e com ambiente em que fora criada. Ela chegou ainda a gravar um LP declamando algumas de suas poesias. Lançado pela gravadora Paulinas Comep, o disco ainda pode ser encontrado hoje em formato CD. Cora Coralina faleceu em Goiânia, de pneumonia. A sua casa na Cidade de Goiás foi transformada num museu em homenagem à sua história de vida e produção literária.

Primeiros passos literários

Os elementos folclóricos que faziam parte do cotidiano de Ana serviram de inspiração para que aquela frágil mulher se tornasse a dona de uma voz inigualável e sua poesia atingisse um nível de qualidade literária jamais alcançado até aí por nenhum outro poeta do Centro-Oeste brasileiro.
Senhora de poderosas palavras, Ana escrevia com simplicidade e seu desconhecimento acerca das regras da gramática contribuiu para que sua produção artística priorizasse a mensagem ao invés da forma. Preocupada em entender o mundo no qual estava inserida, e ainda compreender o real papel que deveria representar, Ana parte em busca de respostas no seu cotidiano, vivendo cada minuto na complexa atmosfera da Cidade de Goiás, que permitiu a ela a descoberta de como a simplicidade pode ser o melhor caminho para atingir a mais alta riqueza de espírito.

Divulgação nacional

Foi ao ter a segunda edição (1978) de Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, composta e impressa pelas Oficinas Gráficas da Universidade Federal de Goiás, com capa (retratando um dos becos da cidade de Goiás) e ilustrações elaboradas pela consagrada artista Maria Guilhermina, orelha de J.B. Martins Ramos, e prefácio de Oswaldino Marques, saudada por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil, a 27 de dezembro de 1980, que Aninha, já conhecida como Cora Coralina, ganhou a atenção e passou a ser admirada por todo o Brasil. “Não estou fazendo comercial de editora, em época de festas. A obra foi publicada pela Universidade Federal de Goiás. Se há livros comovedores, este é um deles.” Manifesta-se, ao ensejo, o vate Drummond.
A primeira edição de Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais, seu primeiro livro, foi publicado pela Editora José Olympio em 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos. Reúne os poemas que consagraram o estilo da autora e a transformaram em uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX. Já a segunda edição, repetindo, saiu em 1978 pela imprensa da UFG. E a terceira, em 1980. Desta vez, pela recém implantada editora da UFG, dentro da Coleção Documentos Goianos.
Onze anos depois da primeira edição de Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais, compôs, em 1976, Meu Livro de Cordel. Finalmente, em 1983 lançouVintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha (Ed. Global).
Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG (1983). E, logo depois, no mesmo ano, foi eleita intelectual do ano e contemplada com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores. Dois anos mais tarde, veio a falecer. A 31 de janeiro de 1999, a sua principal obra, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, foi aclamada através de um seleto júri organizado pelo jornal O Popular, de Goiânia, uma das 20 obras mais importantes do século XX. Enfim, Cora torna-se autora canônica.
CRONOLOGIA VIDA E OBRA DE CORA CORALINA
1889 – Nasce Ana Lins do Guimarães Peixoto Bretas (Cora Coralina), na cidade de Goiás, em 20 de agosto. Filha de Jacinta Luíza do Couto Brandão Peixoto e do Desembargador Francisco de Paula Lins do Guimarães.
1900 – Impedida de frequentar regularmente a escola, descobre a literatura lendo os almanaques encontrados em sua casa e começa a escrever seus primeiros versos.
1905 – Passa a frequentar os saraus literários realizados na residência de um advogado da cidade, em que, sem revelar o nome do autor, lê publicamente seus poemas.
1907 – Tem pela primeira vez seus poemas publicados no jornal O Paiz. Trabalha como redatora do jornal A Rosa.
1910 – Publica seus primeiros poemas no jornal O Paiz e pela primeira vez utiliza pseudônimo Cora Coralina, que adota em toda sua carreira literária. Publica o seu primeiro conto “Tragédia na Roça” no Anuário Histórico Geográfico e Descritivo do Estado de Goiás .
1911 – Grávida, sai da cidade com Cantídio Tolentino de Figueiredo Brêtas, que havia sido designado delegado de polícia da Vila de Goiás nesse ano.
1912 – Instalam-se na cidade de Jaboticabal, interior de São Paulo.
1914 – Colabora no Jornal O Democrata, em que seu marido trabalha como redator. Em seus artigos faz reivindicações em favor dos pobres e idosos da cidade. Defende a criação da Escola de Agronomia de Jaboticabal.
1921 – Publica no jornal O Estado de S. Paulo o artigo “Idéias e Comemorações“, elogiado pelo escritor Monteiro Lobato (1882 – 1948).
1923 – O casal adquire uma chácara onde a poeta passa a cultivar e comercializar flores. Colabora no jornal A Informação Goiana.
1925 – Viaja com o marido para São Paulo e oficializam o casamento. Em lua-de-mel, vão para o Rio de Janeiro.
1926 – Muda-se com a família para São Paulo.
1932 – Apóia a Revolução Constitucionalista e colabora no jornal O Estado de S. Paulo.
1934 – Morre seu marido e para sustentar a família abre uma pensão.
1936 – Conhece o editor José Olympio (1902 – 1990) e passa a vender os livros da sua editora.
1937 – Muda-se para Penápolis, São Paulo, onde abre uma casa de retalhos e colabora no jornal O Penapolense.
1940 – Instala-se em Andradina, São Paulo, e inaugura uma casa de tecidos. Adquire uma chácara na vila Alfredo de Castilho e se torna lavradora. Pouco tempo depois adquire dois novos sítios, no primeiro passa a produzir algodão e o segundo destina ao aluguel para o descanso das boiadas que, vindas de Mato Grosso, vão para o Matadouro de Araçatuba. Colabora no periódico O Jornal da Região.
1954 – Vende seus bens de São Paulo para seu filho e retorna para a vila de Goiás, onde produz doces.
1959 – Conhece o advogado Tarquínio de Oliveira, que a estimula a publicar seus poemas por uma editora paulista, então aprende datilografia e passa a limpo suas poesias.
1959 – Em companhia de Tarquínio de Oliveira encontra-se com o escritor Antônio Olavo Pereira (1913), irmão de José Olympio e administrador de sua editora em São Paulo.
1976 – É homenageada pelo Grêmio Lítero-Musical Carlos Gomes, sediado em Goiânia.
1979 – Recebe carta do poeta Carlos Drummond de Andrade(1902 – 1987) enaltecendo-a como uma das grandes poetas nacionais. Os dois poetas passam a se corresponder freqüentemente.
1980 – No Rio de Janeiro, é homenageada como uma das dez mulheres do ano nas letras nacionais. Drummond publica um artigo elogiando seus poemas no Caderno B do Jornal do Brasil.
1981 – Como tributo a seu trabalho literário recebe o Troféu Jaburu, doado pelo Conselho de Cultura do Estado de Goiás.
1982 – É reverenciada, em São Paulo, no 1º Festival Mulheres nas Artes. E participa do recital em sua homenagem promovido pela Fundação Ação Social do Palácio do Governo de Goiás.
1983 – Recebe o título de doutora honoris causa conferido pela Universidade Federal de Goiás. É homenageada pelo Senado, em solenidade promovida pela Fundação Pedroso Horta, pela Secretaria de Cultura do Governo de Goiás e pela Fundação Cultural. É agraciada com a Comenda da Ordem do Mérito do Trabalho, conferida pelo presidente da República, João Baptista Figueiredo (1919 – 1999), por seus méritos na promoção da cultura goiana.
1984 – Torna-se membro da Academia Goiana de LetrasRecebe o grande prêmio de crítica da Associação Paulista de Crítica de Arte – APCA e o Troféu Juca Pato da União Brasileira de Escritores – UBE.É reconhecida como Símbolo Brasileiro do Ano Internacional da Mulher Trabalhadora pela FAO.
1985 – Morre no dia 10 de abril, em Goiânia, e é enterrada na cidade de Goiás, onde é fundada a Casa de Cora Coralina, instituição que zela pela preservação de sua memória.
“Na minha alma, hoje, também corre um rio, um longo e silencioso rio de lágrimas que meus olhos fiaram uma a uma e que há de ir subindo, subindo sempre, até afogar e submergir na tua profundez sombria a intensidade da minha dor!…”
– Cora Coralina, em trecho do poema “Rio Vermelho”, do livro “Villa Boa de Goyaz. São Paulo: Global Editora, 2001, p. 103.
Cora Coralina – fotos: Acervo ©Museu Casa de Cora Coralina
(Global Editora)

https://vivimetaliun.wordpress.com/2015/09/13/quem-foi-cora-coralina/

Poemas de Cora Coralina - Uma grande senhora

Poemas de Cora Coralina


Poeminha Amoroso

Este é um poema de amor 

tão meigo, tão terno, tão teu... 
É uma oferenda aos teus momentos 
de luta e de brisa e de céu... 
E eu, 
quero te servir a poesia 
numa concha azul do mar 
ou numa cesta de flores do campo. 
Talvez tu possas entender o meu amor. 
Mas se isso não acontecer, 
não importa. 
Já está declarado e estampado 
nas linhas e entrelinhas 
deste pequeno poema, 
o verso; 
o tão famoso e inesperado verso que 
te deixará pasmo, surpreso, perplexo... 
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...

Cora Coralina
Humildade
Senhor, fazei com que eu aceite 
minha pobreza tal como sempre foi. 

Que não sinta o que não tenho. 
Não lamente o que podia ter 
e se perdeu por caminhos errados 
e nunca mais voltou. 

Dai, Senhor, que minha humildade 
seja como a chuva desejada 
caindo mansa, 
longa noite escura 
numa terra sedenta 
e num telhado velho. 

Que eu possa agradecer a Vós, 
minha cama estreita, 
minhas coisinhas pobres, 
minha casa de chão, 
pedras e tábuas remontadas. 
E ter sempre um feixe de lenha 
debaixo do meu fogão de taipa, 
e acender, eu mesma, 
o fogo alegre da minha casa 
na manhã de um novo dia que começa.

Cora Coralina
https://www.pensador.com/poemas_de_cora_coralina/

GRANDE POETISA E SENHORA... 128º ANIVERSÁRIO DE CORA CORALINA - ANNA LINS DOS GUIMARÃES PEIXOTO BRETAS.

GRANDE POETISA E SENHORA...
128º ANIVERSÁRIO DE CORA CORALINA - 
ANNA LINS DOS GUIMARÃES PEIXOTO BRETAS.

Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, foi uma poetisa e contista brasileira. Wikipédia

Poema: Lua-Luar – Cora Coralina

Lua-Luar
Escuto leve batida.
Levanto descalça, abro a janela
devagarinho.
Alguém bateu?
É a lua-luar que quer entrar.

Entra lua poesia
antes dos astronautas:
Gagarin da terra azul,
Apolo XI que primeiro passeou solo lunar.

Lua que comanda os mares,
a fúria dos vagalhões
que vem morrer na praia.
O banzeiro das pororocas.

Lua dos namorados,
das intrigas de amor,
dos encontros clandestinos.
Lua-luar que entra e sai.

Lua nova, incompleta no seu meio arco.
Lua crescente, velha enorme, fecunda.
Lua de todos os povos
de todos os quadrantes.

Lua que enfurece o mar e em chumbo,
acovarda barcos pesqueiros.
O barqueiro se recolhe.

O pescado volta às redes.
O jangadeiro trava amarras.
Gaivotas fogem dos rochedos.

Lua cúmplice.
Lésbica lua nascente,
andrógina — lua-luar.
Lua dos becos tristes
das esquinas buliçosas.
Luar dos velhos.
Das velhas plantas sentenciadas.
Do sopro morto
dos bordões, rimas, violinos.

Lua que manda
na semeadura dos campos,
na germinação das sementes,
na abundância das colheitas.

Lua boa.
Lua ruim.
Lua de chuva.
Lua de sol.

Lua das gestações do amor.
Do acaso, do passatempo
Irresistível,
responsável, irresponsável.

Lua grande. Lua genésica
que marca a fertilidade da fêmea
e traz o macho para a semeadura.
O fruto aceito —
mal aceito: repudiado, abandonado,
A semente morta
lançada no esgoto.
A semente viva palpitante
deixada em porta alheia.


Luana Alves
Graduada em Letras