Ao mesmo tempo, o novo presidente Democrata, que havia derrotado o vice-presidente republicano Richard Nixon, chegava após um período de oito anos do governo conservador e republicano de Dwight Eisenhower.
Querendo transformar o governo em um instrumento de mudança, Kennedy contrastava bastante com o cenário dos anos anteriores.
“A igualdade entre as raças e a corrida pelo espaço se tornaram símbolos de Kennedy. Todo o imaginário de alcançar o espaço foi muito trabalhado por ele como uma visão de futuro melhor para toda a humanidade. Já a questão da divisão racial sempre fez parte da política dos EUA, mas a pressão do movimento negro fazia necessária uma resposta do governo e Kennedy abraçou esse assunto”, conta Clifford Andrew Welch.
Referência. A especulação do que ele poderia ter feito é, para os especialistas, o que mantém viva, ainda hoje, a lembrança e a influência do ex-presidente nos Estados Unidos.
“John Kennedy não teve tempo de perder a aura que cerca os presidentes que anunciam uma renovação política e sua morte precoce impediu que se dissolvesse essa aura que o cercava, mesmo que isso tenha dado origem a incontáveis mitologias”, avalia o sociólogo Demétrio Magnoli.
Welch acredita que o assassinato do presidente que não conseguiu cumprir as promessas de seu discurso deixou uma dívida aos Estados: tentar realizar os sonhos de Kennedy que tanto animaram as pessoas. “Ele deixou como legado esse símbolo de esperança para um futuro melhor. Depois que ele morreu, a sua imagem tem sido usada tanto pelo partido Republicano como pelos democratas”, explica o professor da Unifesp.
Teoria da conspiração
Mais de 60% dos norte-americanos acreditam que o assassinato de JFK foi a culminação de uma complexa conspiração para tirá-lo do poder. A ideia de uma teoria da conspiração é tão forte que o instituto Gallup faz pesquisas anuais com a pergunta “você acha que Oswald agiu sozinho ou acha que outras pessoas estiveram envolvidas no tiroteio que matou JFK?”, há 50 anos, desde o assassinato. Logo após a morte do presidente, em 1963, 52% dos norte-americanos acreditavam que Oswald não agiu sozinho. Em 1976, os adeptos da teoria atingiram um pico, com 81% dos entrevistados dizendo que outros estiveram envolvidos. No entanto, esse número tem diminuído desde então, chegando aos 61% atuais.
O presidente mais aprovado
No aniversário de 50 anos de sua morte, o ex-presidente norte-americano JFK ainda é o presidente moderno mais aprovado pela população norte-americana. A informação foi divulgada na última semana pelo centro de pesquisa Gallup. Em um ranking dos últimos 11 presidentes do país, John F. Kennedy foi considerado excelente ou acima da média por 74% dos mais de mil entrevistados. Ronald Reagan ficou em segundo lugar, seguido de Bill Clinton. O atual presidente ficou em quinto lugar. Para o instituto, a posição de Kennedy pode ser parcialmente explicada pela exposição de JFK na mídia durante sua vida e após sua morte. Porém, eles usam, também, popularidade dele enquanto vivo para explicar.
Homenagens a JFK
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o ex-presidente Bill Clinton prestaram homenagem a John F. Kennedy anteontem. O líder norte-americano e o ex-presidente deixaram flores no túmulo de JFK no cemitério de Arlinton, em Washington. À noite, Obama ofereceu um jantar em tributo aos 50 anos do assassinato de John F. Kennedy. Hoje, a cidade de Dallas, onde ocorreu o assassinato, também faz uma homenagem ao ex-presidente. “Os dias posteriores foram horríveis para a cidade, que de repente foi denominada cidade do ódio”, explicou à Agência Efe Linda Custard, uma das organizadoras do evento, que pretende livrar a cidade do estigma de “cidade do ódio”.