Sempre na minha mente e no coração...

Sempre na minha mente e no coração...
Corcovado ou Cristo Redentor, lindo !!!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fizeram a gente acreditar



Fizeram a gente acreditar


Por: John Lennon
Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.




Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava.
Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.
Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém.


Ordem Rosacruz... AMORC





Ordem Rosacruz - AMORC



ORDEM ROSA CRUZ - AMORC

A Ordem Rosacruz, AMORC é uma organização internacional de caráter místico-filosófico, com sede mundial em São José na Califórnia, EUA, fundada em 1915 por Harvey Spencer Lewis. A AMORC tem por missão despertar o potencial interior do ser humano, auxiliando-o em seu desenvolvimento, em espírito de fraternidade, respeitando a liberdade individual, dentro da Tradição e da Cultura Rosacruz. O nome AMORC, siginifica: Antiga e Mística Ordem Rosa Cruz e foi adotado para diferenciá-la de outras ordens filosóficas com nomes semelhantes, mas diferentes em essência.
ORIGENS

Segundo seus adeptos, as origens da Ordem Rosacruz AMORC, remontam às antigas escolas egípcias de mistérios, há 3.360 anos. E o faraó Tutmés III, da XVIII dinastia, é tido como seu fundador por volta de 1350 a.C. Teria o faraó fundado uma fraternidade secreta, com o objetivo de estudar os mistérios da vida. A Fraternidade Rosacruz ainda não se auto denominava assim, sendo oficialmente estabelecida em El Amarna pelo faraó Amenófis IV, conhecido também como Akhenaton, porém essas informações não podem ser comprovadas históricamente. A primeira menção histórica da ordem data de 1614, quando surgiu o famoso documento intitulado "Fama Fraternitatis", onde são contadas as viagens de Christian Rosenkreuz pela Arábia, Egito e Marrocos, locais onde teria adquirido sua sabedoria secreta, que só seria revelada aos iniciados.

A LENDA DE CHRISTIAN ROSENKREUZ 

Segundo a lenda, exposta no documento "Fama Fraternitatis" (1614), essa fraternidade teria suas origens em Christian Rosenkreuz (de início apenas designado por "Irmão C.R.C."), nascido em 1378 na Alemanha, junto ao rio Reno. Os seus pais teriam sido pessoas ilustres, mas sem grandes posses materiais. Sua educação começou aos quatro anos numa abadia onde aprendeu grego, latim, hebraico e magia. Em 1393, acompanhado de um monge, visitou Damasco, Egito e Marrocos, onde estudou com mestres das artes ocultas, depois do falecimento de seu mestre, em Chipre. Após seu retorno a Alemanha, em 1407, teria fundado a "Fraternidade da Rosa Cruz", de acordo com os ensinamentos obtidos pelos seus mestres árabes, que o teriam curado de uma doença e iniciado no conhecimento de práticas do ocultismo. Teria passado, ainda, cinco anos na Espanha onde três discípulos redigiram os textos que teriam sido os iniciadores da sociedade. Depois, teriam formado a "Casa Sancti Spiritus" (a Casa do Espírito Santo) onde, através da cura de doenças e do amparo daqueles que necessitavam de ajuda, foram desenvolvendo os trabalhos da fraternidade, que pretendia, no futuro, guiar os monarcas na boa condução dos destinos da humanidade. Segundo o texto "Fama Fraternitatis", C.R.C. morreu em 1484, e a localização da sua tumba permaneceu desconhecida durante 120 anos até 1604, quando teria sido, secretamente, redescoberta.

Uma outra lenda menos conhecida, veiculada na literatura maçônica, originada por uma sociedade secreta altamente hierarquizada do século dezoito na Europa central e do leste, ao contrário dos ideais da Fraternidade que se encontra exposta nos manifestos originais, denominada "Gold und Rosenkreuzer" (Rosacruz de Ouro), que tentou realizar, sem sucesso, a submissão da Maçonaria ao seu poder, dispõe que a Ordem Rosa-cruz teria sido criada no ano 46, quando um sábio gnóstico de Alexandria, de nome Ormus e seis discípulos seus foram convertidos por Marcos, o evangelista. A Ordem teria nascido, portanto, da fusão do cristianismo primitivo com os mistérios da mitologia egípcia. Segundo este relato, Rosenkreuz teria sido, apenas um Iniciado e, posteriormente Grão Mestre da Ordem e não seu fundador.

Assim como ocorre com o Mestre Hiram Abif da lenda maçônica, a existência real de Christian Rosenkreuz divide a opinião dos grupos que se intitulam Rosacruzes. Alguns a aceitam, outros o vêem apenas como um pseudônimo usado por personagens realmente históricos como, Francis Bacon, por exemplo.


A ORDEM ROSA CRUZ E A MAÇONARIA

O Rosacrucianismo, assim como a Maçonaria, é um sincretismo de diversas correntes filosóficas-religiosas: hermetismo egípcio, cabalismo judaico, gnosticismo cristão e alquimia. Existe ligação entre a Maçonaria e os rosacruzes e essa ligação começou já na Idade Média. No fim do período medieval e começo da Idade Moderna, com inicio da decadência das corporações operativas (englobadas sob rótulo de maçonaria de Ofício ou operativa), estas começaram, paulatinamente, a aceitar elementos estranhos à arte de construir, admitindo, inicialmente, filósofos, hermetistas e alquimistas, cuja linguagem simbólica assemelhava-se à dos francos-maçons.

Como a Ordem Rosa-cruz estava impregnada pelos alquimistas, deu-se a ligação do rosacrucianismo e da alquimia com a Maçonaria. Leve-se em consideração, também, que durante o governo de José II, imperador da Alemanha de 1765 a 1790, e co-regente dos domínios hereditários da Casa d'Áustria, houve um grande incremento da Ordem Rosa-cruz e sua comunidade, atingindo até a Corte e fazendo com que o imperador proibisse todas as sociedades secretas, abrindo exceção , apenas aos maçons, o que fez com que muitos rosacruzes procurassem as lojas maçônicas para alí poder continuar com os seus trabalhos.

Ambas as Ordens são medievais, se for considerado o maior incremento da Maçonaria de Ofício durante a Idade Média e o início de sua transformação em "Maçonaria dos Aceitos" (também chamada, indevidamente, de "Especulativa"). Se, todavia, considerarmos o início das corporações operativas, em Roma, no século VI antes de Cristo, históricamente a maçonaria é mais antiga. Isso, é claro, levando em consideração apenas, as evidências históricas autênticas e não as "lendas", que faz remontar a origem de ambas as instituições ao Antigo Egito.

A maçonaria é uma ordem totalmente templária, ou seja, os ensinamentos só ocorrem dentro das lojas. Seus graus vão do 1 ao 3 nas "Lojas Base" e do 4 ao 33 nas "Lojas de Graus Filosóficos". Já a Antiga e Mística Ordem Rosa-cruz dá ao estudante o livre arbítrio de estudar em casa ou em um templo Rosa-cruz. O estudo em casa é acompanhado à distância, e assim como na maçonaria, é composto de vários graus, que vão do neófito (iniciante) ao 12º grau, conhecido como grau do ARTESÃO.

O estudo no templo, mesmo não sendo obrigatório, proporciona ao estudante além do contato social como os demais integrantes, a possibilidade de participar de experimentos místicos em grupo, e poder discutir com os presentes os resultados, e por último, a reunião templária fortalece a egrégora da organização, o que também ocorre na maçonaria.

A maior evidência de uma ligação histórica entre a Ordem Rosa-Cruz e a Maçonaria é a existência do "Capítulo Rosa-Cruz" que é o 18º Grau do "Rito Escocês Antigo e Aceito" da Franco-Maçonaria, (representando simbolicamente a 9ª Iniciação Menor no grau de "Cavaleiro Rosa-Cruz"), que tem como símbolos principais o Pelicano, a Rosa e a Cruz.
AS INICIAÇÕES

Uma singularidade entre a AMORC e a Maçonaria, são as iniciações nos seus respectivos graus, sendo que para ambas, a primeira é a mais marcante. No caso da Maçonaria a iniciação é no grau de Aprendiz, na AMORC, a admissão se dá no Primeiro Grau de Templo. As iniciações têm o mesmo objetivo, impressionar o iniciante, levá-lo à reflexão, para que ele decida naquele momento se deve ou não seguir adiante, e se o fizer, assumir o compromisso de manter velado todos os símbolos, usos e costumes da instituição de que fará parte.

O SIMBOLISMO

Vários são os símbolos comuns às duas instituições, a começar pela disposição dos mestres com cargos, lembrando os pontos cardeais, e a passagem do Sol pela Terra, do Oriente ao Ocidente.

Cada ponto cardeal é ocupado por um membro. A figura do venerável mestre na maçonaria, ocupando sua posição no Oriente, encontra similar na Ordem Rosa-cruz, na figura de um mestre instalado, que ocupa seu lugar no leste. A linha imaginária que vai do altar dos juramentos ao Painel do Grau, e a caminhada somente no sentido horário, também é similar. Em ambos os casos o templo é pintado na cor azul celeste, e a entrada dos membros ocorre pelo Ocidente.

O altar dos juramentos encontra semelhança no Shekinah na ordem Rosa Cruz, sendo que neste último não se usa a bíblia ou outro livro, mas sim 3 velas dispostas de forma triangular, que são acesas no início do ritual e apagadas ao final deste, simbolizando a luz, a Vida e o Amor.

Outra semelhança é o uso de avental por todos os membros iniciados ao adentrarem o templo, enquanto que os oficiais, (equivalente aos mestres com cargo), usam paramentos especiais, cada qual simbolizando o cargo que ocupa no ritual.

O avental usado pelos membros não diferencia o grau de estudo.

Algumas das diferenças ficam por conta da condução do ritual, onde na rosa cruz tem caráter místico-filosófico.

Os iniciantes na Ordem Rosa Cruz recebem seus estudos em um templo separado, anexo ao templo principal, enquanto que os aprendizes maçons recebem suas instruções juntamente com os demais irmãos e, finalmente, o formato físico da loja maçônica lembra as construções greco-romanas, enquanto que a Ordem Rosa Cruz (AMORC) lembra as construções egípcias.


ROSACRUZES FAMOSOS

Ramon Llull, Dinis de Portugal (o Rei-Poeta), Rainha Santa Isabel (alquimia das Rosas), Leonardo da Vinci, Paracelso, Nostradamus, Michael Servetus, Luís Vaz de Camões, John Dee, Giordano Bruno, Heinrich Khunrath, Lutero, Caspar Schwenckfeld, Sebastian Franck, Valentin Weigel, Johann Arndt, Francis Bacon, William Shakespeare, Michael Maier, Robert Fludd, Coménio (Jan Amos Komenský), René Descartes, Elias Ashmole, Isaac Newton, Gottfried Wilhelm Leibniz, Alessandro Cagliostro, Johann Wolfgang von Goethe, Conde de St. Germain, Johann Sebastian Bach, Vitor Hugo, Paschal Beverly Randolph, Edward Bulwer-Lytton, Franz Hartmann, William Wynn Westcott, Samuel Liddell MacGregor Mathers, Richard Wagner, Rudolf Steiner, Max Heindel, Arnold Krumm-Heller, Reuben Swinburne Clymer, Harvey Spencer Lewis, George Alexander Sullivan, Hermann Hesse, J. van Rijckenborgh,Corinne Heline, Manly Palmer Hall, Elsa M. Glover
A ROSA CRUZ NA ATUALIDADE

Além da AMORC, existem atualmente diversas Organizações Rosacrucianas. Apresentamos à seguir uma breve descrição das mais conhecidas:

FRATERNIDADE ROSACRUZ


No Brasil e em Portugal (em inglês, The Rosicrucian Fellowship), foi fundada por Max Heindel entre 1909 e 1911, nos Estados Unidos, e não reivindica o título de "Ordem Rosacruz". Considera-se apenas uma uma escola de exposição de suas doutrinas e de preparação para o indivíduo para ingresso em caminhos mais profundos na Ordem espiritual, sendo que a verdadeira Ordem Rosacruz funciona apenas nos mundos espirituais. Ao contrário da maioria das demais organizações rosacruzes, as escolas de Max Heindel se consideram indissociáveis do Cristianismo considerando-o como a única verdadeira religião universal e Cristo como o único salvador, daí ser mais propriamente chamada de Cristianismo Rosacruz, ou, por vezes, Cristianismo Esotérico. Outras organizações rosacruzes também consideram-se cristãs, mas não com este ênfase.

FRATERNITAS ROSAE CRUCIS - FRC


Também com sede mundial nos EUA, que se reinvindica a autêntica Ordem Rosa-Cruz fundada em 1614 na Alemanha, mas na verdade foi fundada por Reuben Swinburne Clymer por volta de 1920 e se diz representante de um movimento originalmente fundado por Pascal Beverly Randolph em 1856.

FRATERNITAS ROSICRUCIANA ANTIQUA - FRA


Foi fundada pelo esoterista alemão Arnoldo Krum

m-Heller por volta de 1927, e tem sede no Rio de Janeiro (está presente também nos países de língua hispânica).


LECTORIUM ROSICRUCIANUM


Ou "Escola Internacional da Rosacruz Áurea", é uma organização rosacruz que começou a se estruturar em Haarlem, Holanda, em 1924, através do trabalho de J. van Rijckenborgh (pseudônimo de Jan Leene) e Z.W. Leene, quando esses dois irmãos entraram para a Sociedade Rosacruz (Het Rozekruisers Genootschap), divisão holandesa do grupo americano Rosicrucian Fellowship. Este grupo se tornaria independente da Rosicrucian Fellowship em 1935 e, com o final da guerra em 1945 (quando seu trabalho foi proibido pelas forças de ocupação nazista), o trabalho exterior foi retomado e passou a adotar o nome Lectorium Rosicrucianum, ou Escola Internacional da Rosacruz Áurea, apresentando-se cada vez mais como uma escola gnóstica, "Gnosis" significando aqui o conhecimento direto de Deus, resultado de um caminho de desenvolvimento espiritual. Desde 1945, o grupo se expandiu por vários países da Europa, América, Oceania e África, além de publicar inúmeros livros, muitos dos quais com comentários sobre antigos textos da sabedoria universal, como os Manifestos Rosacruzes do Século XVII, o Corpus Hermeticum (textos atribuídos a Hermes Trismegistus), o Evangelho Gnóstico da Pistis Sophia, o Tao Te Ching, entre outros.


Templo AMORC em Curitiba-PR Brasil

Para saber mais ou entrar em contato com a Amorc, visite o seguinte endereço: http://www.amorc.org.br

Senhor! Teu espírito é eterno em todas as coisas.

Carlos Roberto ( Amon Sol )



http://www.magiadourada.com.br/rosacruz.html

EM TEMPOS DIFÍCEIS Robert E. Daniels, F.R.C. Em tempos difíc...


A Rosa e a Cruz. Arthur Piepenbrink. O símbolo usado pela Ordem Rosacruz ...
rosacruzes.blogspot.com


EM TEMPOS DIFÍCEIS Robert E. Daniels


EM TEMPOS DIFÍCEIS

Robert E. Daniels, F.R.C.


Em tempos difíceis as técnicas místicas têm seu maior potencial de sucesso. Quando a vida está muito cômoda, alcançamos pouco êxito na aplicação dos princípios que podem produzir as circunstâncias que desejamos estabelecer em nossa vida. Mas quando nos defrontamos
com emergências e problemas difíceis, a aplicação de princípios místicos é mais poderosa, de modo que resultados quase milagrosos podem ser observados.



Isso deve nos trazer a confiança e a certeza de que o Cósmico se predispõe a trabalhar em nosso favor durante momentos de grande necessidade.
O viver em harmonia com o Cósmico requer mais do que simplesmente meditar por alguns minutos, todos os dias, e ler literatura mística.
Implica levarmos uma vida mística, vivendo segundo as condições que ela de nós exige. Estas condições consistem
em que devemos nos tornar tão tolerantes como o Cósmico,
tão mentalmente abertos como o Cósmico, tão amorosos como o Cósmico, e igualmente abrangentes ou universais
em nossos pensamentos e conduta. 

O Cósmico, como sabem os Rosacruzes, é Deus em ação por todo o Universo.

Se em nossos pensamentos e em nossa conduta somos preconceituosos,egoístas, invejosos, ciumentos ou dados ao ódio, nenhuma  harmonia com o Cósmico pode existir, mesmo que nos entreguemos a estes sentimentos inarmônicos apenas ocasionalmente. 
O ritmo central do nosso viver diário deve ser bondoso, amoroso e generoso, cheio de nobre exaltação e compreensão solidária.
Passou a fase em que meramente lermos acerca da vida mística terá algum valor. Devemos transformar a teoria em prática, todos os dias, senão perderemos a oportunidade de um ciclo.



Serviço: Ordem Rosacruz, AMORC: Rua Nicarágua, 2620 - 82515-260
– Curitiba –PR. 

Tel:            (41)3351-3000       Internet: www.amorc.org.br / E-mail:rosacruz@amorc.org.br

O porque das Enfermidades!!!

Este alerta está colocado na porta de um espaço terapêutico.

A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.O resfriado escorre quando o corpo não chora.A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.O diabetes invade quando a solidão dói.O corpo engorda quando a insatisfação aperta.A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.O peito aperta quando o orgulho escraviza.A pressão sobe quando o medo aprisiona.As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos, existem semáforos chamados Amigos, luzes de precaução chamadas Família, e ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão, um potente motor chamado Amor, um bom seguro chamado , abundante combustível chamado PaciênciaMas principalmente um maravilhoso Condutor chamadoDEUS.
"Palavras até me conquistam temporariamente, mas atitudes me ganham ou me perdem para sempre."
                                                 (Clarice Lispector) 
Boa Tarde, meus caríssimos amigos Blogueiros

O melhor do Reino Unido

Reino Unido: o país dos castelos mal-assombrados


Por Yahoo! Contributor | Visit Britain – ter, 6 de mar de 2012 17:35 BRT


No número geral, o Reino Unido é o país com mais castelos na Europa: mais de 300 sobreviveram à idade média. Alguns são hotéis, outros são de propriedade da realeza. Há também os que têm donos bem mais interessantes: fantasmas. Fizemos um roteiro com os mais mal assombrados. Porque turista em lugar bonito já existe um montão. Comecemos falando do mais famoso reduto fantasmagórico do país, na Escócia.
O castelo Glamis fica a 700 km de Londres. Desde 1372, vários nobres se instalaram lá. A rainha mãe — que deu a luz a Sua Majestade Elizabeth II — nasceu ali, assim como a princesa Margaret. Vieram ao mundo, diz a lenda, em um local amaldiçoado, depois de um hóspede aceitar jogar cartas com o Demônio e fazer um pacto com ele.
A primeira história esquisita no local data do século XI, quando o rei Malcolm III foi misteriosamente assassinado ali. Após cerca de 500 anos, a viúva da sexta geração dos Glamis, Lady Janet Douglas, foi queimada viva, acusada bruxaria. Desde então, conta-se que ela assombra a capela do castelo como um vulto cinza.
Depois do carteado com o Satã, dizem os moradores da região, uma criança monstruosa nasceu. Escondida, viveu mais de 100 anos. Os mais antigos dizem que a criatura é Thomas Bowes-Lyon, que tem parentesco apenas com a rainha. Quer pagar para ver? A visita custa R$ 30 e um jantar ali sai por R$ 60. É necessário reservar.
Perto dali fica outro castelo cheio de lendas: o Ballindalloch, a 134 km de Glamis. Conta-se que ali vive o fantasma da Dama Verde, na sala de jantar. É um prédio famoso por aparições femininas — supostamente amantes rejeitadas. Também estaria lá a alma do general James Grant, que vigia o prédio em seu cavalo.
As visitas também são permitidas. Adultos pagam R$ 25 e crianças R$ 13. O local está aberto das 10h às 15h. Não é necessário agendar vistas. Também é fácil conseguir acomodações para dormir perto do castelo por R$ 150, em casas de família. Conhecer os dois castelos é uma das viagens mais exóticas que se pode fazer no Reino Unido.
Para muitos, o castelo mais mal assombrado do país não fica na Escócia, mas está bem perto. É o Chillingham, em Northumberland, a 400 km da capital britânica. O lugar foi construído só com um propósito: matar. Ali ficava uma linha de defesa dos ingleses no período em que lutavam contra os escoceses. Ainda assim fazem casamentos ali. Você pode passar uma noite por pelo menos R$ 300. As visitas custam R$ 25.
Mas se você não irá tão longe para encontrar espíritos atormentados, pode fazê-lo naquele que os britânicos chamam de "a mãe de todos os castelos mal-assombrados". A Torre de Londres, construída em 1078, é a casa da alma de Henrique VI (1421-1471), um dos mais trágicos monarcas e protagonista de uma obra de William Shakespeare. Fica à beira do rio Tâmisa e é um dos principais cenários da cidade.
A mística surgiu com o assassinato do rei, enquanto rezava, perto da meia-noite. Quando se aproxima o dia 21 de maio, aniversário de sua morte, ele reaparece. As lendas contam que depois de marcar presença ele retorna para dentro das pedras — por mais um ano. Nesse período, outros espíritos tomam conta do prédio, como a perfumada "Dama Branca". As visitas ao prédio custam R$ 60. Alguém vai encarar?

A Veneza de Charlie Chaplin


A Veneza de Charlie Chaplin

Voltei. Ou melhor, Chaplin voltou. Esta é a oitava vez que participo, fantasiada de Carlitos, do Carnevale de Veneza, a festa que acontece no fim do inverno e dura dez dias. Ter um papel na maior exposição de fantasias da Europa promove a minha presença de observadora a participante e, como Charlie, posso improvisar, interagir e fazer as pessoas sorrirem tendo como pano de fundo a cidade conhecida como La Serenissima, um ponto inigualável na Terra. Brincar livremente na pele de um ícone tão querido num lugar tão bonito pode ser tão gostoso quanto o sabor de um bom gelato.
Já faz pelo menos dez minutos que cruzei com alguém fantasiado - e também em roupas comuns. Como é possível que, no meio de um evento de classe internacional, uma região tão linda da cidade esteja vazia a não ser pela presença de uma norte-americana já de certa idade vestida de Charlie Chaplin? Para falar a verdade, não sei onde estou. Não tenho mapa (o Charlie teria?), embora talvez ele fosse de pouca valia nessas ruelas. Chego a um beco sem saída: a ruazinha em que estou acaba num pequeno canal. Não vejo nenhuma daquelas placas "Per Rialto" ou "Per San Marco" que são o socorro da minha navegação, nas laterais dos prédios. Voltar é a minha única opção. Porém, eu me detenho ali, admirando os tons de ocre e vermelho que cobrem as construções desgastadas pela água e as floreiras nas janelas lotadas de mil-grãos, que começam a voltar à vida bem a tempo para o espetáculo veneziano que resume a graça, o glamour, o mistério e a história europeus.
Num dos canais, vejo uma gôndola solitária. "Negra como nada mais no mundo exceto um caixão" _ é assim que o escritor Thomas Mann descreveu esses barcos elegantes em "A Morte em Veneza". Essa não leva nenhum passageiro, apenas o gondoleiro remando com uma habilidade despreocupada. Ela vai chegar ao lugar onde me encontro em alguns minutos. O que Chaplin faria?
Não sei de onde tirei a inspiração, mas me posicionei de tal forma que, quando a gôndola passou, o gondoleiro me viu como se fosse sua imagem num espelho _ meu corpo tombado para frente no mesmo ângulo que o dele, minha bengala substituindo seu longo remo. Imito seu gesto. Novamente. Aí ele me vê e sorri. O meu Charlie fica exultante.
Conseguir uma reação desses barqueiros tão compenetrados é um triunfo. É o que preciso para voltar, girar minha bengala e sair caminhando num passo animado. Depois de tantos anos me fantasiando como Charlie Chaplin durante o Carnevale, estou me aperfeiçoando. Por que fui tantas vezes para Veneza durante o carnaval? E por que a fantasia de Chaplin? É uma questão de amor _ pela cidade, pelas fantasias (é felicidade pura para a criança interior que habita em nós, tanto que há quem não poupe despesas para criar roupas caríssimas), amor pela oportunidade de ser uma exibicionista sem idade (está nos meus genes; sou parente do comediante Billy Crystal e de um mímico chamado Adam Darius), e, é claro, amor pelo adorável Carlitos, um dos maiores personagens de todos os tempos. Chaplin e eu fazemos aniversário juntos: nós dois nascemos no dia 16 de abril, só que com 62 anos de diferença. É uma conexão auspiciosa que ajuda a justificar a escolha do meu alter ego. Entretanto, Carlitos sempre me afetou, com sua propensão a se meter em encrencas, a forma como se comunica através dos olhos e dos gestos, sua personalidade humilde, suas características físicas (temos praticamente a mesma altura).
Não sou a única a apreciá-lo, como comprova a minha experiência de vários carnavais. O rosto das pessoas sempre se ilumina ao ver Charlie Chaplin. Eu sorrio de volta porque, quando sou Charlie, entretenho e atraio a atenção delas da maneira mais gratificante, sem ter que fazer testes nem seguir um roteiro. Carlitos nasceu num camarim de Hollywood, onde Chaplin resolveu se arriscar usando as roupas _ chapéu coco, paletó, calça larga, sapato, bigode, bengala _ que definiram seu personagem. Eu encontrei o que foi o início do meu personagem, um chapéu coco, no celeiro da fazenda de um amigo em Nova York. Nos anos 30, a propriedade tinha pertencido a um magnata fascinado por moda. Suas camisas, ternos, sapatos e chapéus ainda lotavam o pequeno celeiro, além de um espelho de corpo inteiro. Considerando o tamanho das roupas, o homem era baixinho, mesmo tendo sido um grande comerciante de papelão, segundo me disseram. O chapéu, guardado numa caixa vermelha e azul com alça de couro, parecia novinho em folha. Tive que tirá-lo dali e colocá-lo na minha cabeça. Serviu perfeitamente. Eu me olhei no espelho… e vi Chaplin. Sapatões de amarrar, roupas largas, um bigode e uma bengala seriam a coisa mais fácil de achar.
O meu Chaplin estreou em Washington, no Dia das Bruxas de 1995, quando participei da festa em Dupont Circle. Eu achei que ele ficou perdido e fora de lugar numa multidão de seres sobrenaturais, mas me senti bem como Carlitos _ e, quando um rapaz de terno se aproximou de mim e disse: "Ei, Chaplin, se tivesse um concurso, você ganharia disparado", aí eu me apaixonei. Depois do encontro com o gondoleiro, não demorei a encontrar placas me dirigindo para San Marco. Foi só seguir as flechas _ até que uma figura bela e misteriosa em Campo Santo Stefano me fez diminuir o passo até parar. Pus o corpo para frente, com as duas mãos apoiadas na bengala, os dedões dos pés virados para cima, a cabeça inclinada no mesmo ângulo que a criatura na minha frente. Olhamos uma para a outra, mas o rosto mascarado só transmitia uma neutralidade tranquila. Quem seria essa pessoa? A roupa da criatura, em preto e dourado, era longa e cheia de detalhes intricados, obviamente feita sob medida para o minúsculo ser humano que a vestia. Um chapéu preto enorme decorado com penas e um guarda-sol combinando com a roupa completavam o traje. Meia dúzia de curiosos tiravam fotos da mulher (embora eu não tivesse certeza desse detalhe), que se movia com graça, bem lentamente, fazendo pose, provocando a plateia. Qual era a dela?
Enquanto eu a observava, ela fechou o guarda-sol, colocou-o em pé na sua frente e colocou as duas mãos sobre ele, imitando a minha pose. Esse é o tipo de vínculo que se forma (com frequência) graças ao carnaval, realizado na cidade mais enigmática do mundo. E é por isso que eu sempre volto.
No fim do inverno, é fácil viajar para Veneza usando o programa de milhagem; já o hotel é preciso reservar com pelo menos seis meses de antecedência, pois o Carnevale é muito popular entre os europeus. A princípio, eu organizava a viagem num fim de semana prolongado _ uma noite voando e três na cidade _ o que significava que podia abusar e me hospedar num hotel de luxo, como o Gritti, o Londra Palace, ou o Ca' Pisani. Depois de vários anos, decidi esticar para uma semana, parando primeiro numa cidade próxima por alguns dias (as melhores são Pádua, pela arte e pela feirinha, Bolonha pela gastronomia e Vicenza _ a minha favorita _ pelo teatro em estilo grego projetado por Andrea Palladio). Eu sempre chego a Veneza de avião, pego o trem para a cidade em que vou me hospedar antes e então, relaxada e com as energias renovadas, pego o trem de volta.
Virei frequentadora assídua do Domus Orsoni, um hotel baratinho de cinco quartos numa fábrica de mosaicos histórica perto do bairro judeu, a oito minutos de caminhada da estação de trem. Os quartos são simples e bem decorados, com roupa de cama bege e uma única parede decorada com um mosaico; este ano, encontrei no meu banheiro um box revestido de azulejos dourados. O Domus Orsoni é o local onde levo quinze minutos para me transformar em Carlitos. Perto dele estão a loja de souvenires obrigatória, uma pequena ponte, uma padaria onde se pode admirar os padeiros preparando a massa, uma feirinha e, às vezes, um mercado de peixes perto do canal.
Em Veneza, eu costumo andar muito, fantasiada, olhando vitrines e observando as pessoas _ homens com chapéus de três pontas e sapatos com fivelas, mulheres de vestidos longos luxuosos _ e isso tem o efeito de uma droga sobre mim. Às vezes dou sorte e descubro lugares que vendem uma pizza gostosa, bem fininha, com carciofi (alcachofra), panini macios recheados de salada de atum e azeitonas verdes picadas, gelati sem corante (cuidado com o sorvete de pistache verde fluorescente!). Depois de tantos anos, já não me interesso mais pelos eventos organizados pela Secretaria de Turismo; prefiro passar o tempo entrando e saindo de lojas e outros lugares que chamam a minha atenção, conhecendo os moradores. O interessante é que, aqui, eu faço parte da experiência de outros visitantes.
Eu passei a esperar sorrisos e comentários em minhas andanças pela cidade: "Perfetto", "Complimenti", "Ah, Charlie Chaplin, bravo!". Sempre agradeço em silêncio, encarando as pessoas de uma forma que geralmente causa estranheza. Sorrio, toco meu chapéu, faço uma cortesia e, às vezes, algumas palhaçadas. Os sorrisos se alargam. Recebo pelo menos uma dúzia de pedidos de fotos por dia, geralmente com alguém ao meu lado, feliz de ter encontrado Charlie. Até crianças pequenas, que não conhecem ainda o astro, ficam hipnotizadas por essa figura pequenina de bigode. Quando encarno meu personagem, nunca falo. Quando as pessoas me fazem perguntas: "Française? Inglese? Italiana? (quase nunca dizem "Americana", já que somos minoria no Carnevale), Donna (Mulher)? Uomo (Homem)?", encolho os ombros, giro a bengala e sigo em frente.
O carnaval se originou na Idade Média; no século XVI, os mascherari (fabricantes de máscaras) já eram um grupo bem-visto. Suas criações permitiam que nobres e plebeus interagissem, amantes ilícitos se unissem e jogadores invisíveis perdessem e ganhassem dinheiro (o deboche era um tema comum da festa). Por volta de 1790, durante um período de declínio da cidade, o carnaval praticamente acabou. Ressurgiu várias vezes até que foi proibido pelo Partido Fascista de Mussolini na década de 30. A Prefeitura reinstaurou o Carnevale na década de 70 como parte de um plano de marketing do turismo, com forte patrocínio corporativo.
Uma das coisas que prometi a mim mesma este ano durante a festa foi degustar pratos sofisticados. Não muito longe da Piazza San Marco descobri o Al Covo, um excelente restaurante de frutos do mar ainda desconhecido dos turistas. Coloco o bigode no bolso (perto de um potinho de cola) me preparando para provar a minha massa com limão e carne de caranguejo, servida na carapaça do mesmo.
Não demoro muito para comer tudo e recolocar meu bigode no mesmo lugar. De olho na cesta de pães, não resisto ao impulso, pego dois garfos e os espeto em duas bisnaguinhas para imitar a dança de Chaplin em seu filme "Em Busca do Ouro", de 1925. Chuto os pãezinhos para longe, um de cada vez, bem ao estilo Rockettes de um jeito tão gracioso quanto minha imaginação me permite que, por um momento, é todo meu. Depois do almoço, caminho pela Piazza San Marco e me perco entre as ruas e praças próximas a ela. Há pessoas fantasiadas em todo lugar, assim como turistas/fotógrafos/curiosos para clicá-las. Nas praças, ruas e cafés, essa gente se exibe, brinca e faz pose, atraindo uma trovoada de flashes. De vez em quando, Charlie Chaplin dá uma de provocador e invade a foto alheia _ e já chegou a usar a bengala para desafiar cavalheiros de peruca e espada na mão. Esse tipo de intrusão gera um número ainda maior de cliques; só muito raramente sou recebida com os gritos de um fotógrafo mais exaltado interessado apenas nas fantasias tradicionais.
Muitos participantes se reúnem na escadaria da Ponte Accademia, que costumo cruzar a caminho da Coleção Peggy Guggenheim. Esse reduto da arte do século XX é conhecido pelas obras de Braque, Picasso e Kandinsky, entre outros, mas sempre paro diante da placa de mármore onde se lê: "Aqui jazem meus adorados bebês", em homenagem aos 14 cachorrinhos enterrados ali, perto das cinzas da própria Peggy. Ela foi a amante de um expatriado norte-americano que inspirou e deu apoio a alguns dos artistas mais talentosos dos anos 40, 50, 60 e 70. Sempre que vejo uma foto famosa dela, com seus famosos óculos em formato de estrela, penso no Carnevale. Charlie é uma criatura de hábitos em Veneza: todo ano é obrigatória a caminhada ao longo do Zattere, onde a multidão dá lugar à luz. Amplo, esse calçadão foi construído no século XVI como doca de atracação. Quando o ar está gelado e as ruelas mais estreitas da cidade se escondem nas sombras, o Zattere brilha com os raios do sol. É ali que também ficam vários restaurantes, doceiras e sorveterias e o supermercado Billa, que vende os ingredientes perfeitos para um bom piquenique: vários tipos de queijo, manteiga fresca, iogurte, salame, biscoitos e pão. Mais de uma vez vi pombas caminhando pelos corredores _ refugiadas da Piazza San Marco, talvez?
Charlie também sempre anda de vaporetto (ônibus aquático) à noite. No escuro, sob as luzes das ruas, a impressão é a de que as belas construções de Veneza sussurram: "Claro, somos ameaçados pelas marés, a poluição e as condições do tempo, mas veem como somos orgulhosos e resistentes? Até agora, conseguimos sobreviver". Sob vários aspectos, é uma experiência emocionante para Carlitos, que também é um sobrevivente. Quase toda noite, na minha fantasia, fico sentada no Caffe Florian, ponto de encontro frequentado pelos festeiros mais elegantes e descolados, a maioria da França, Inglaterra e Alemanha. O Florian, inaugurado em 1720, é o palco perfeito, com murais delicados, em tons dourados, e mesas com espaço suficiente apenas para duas xícaras de chocolate ou duas taças de champanhe. Desta vez, porém, Charlie tem outras ideias; ele está achando o Florian muito clichê e quer participar de um dos exclusivos bailes de máscaras. Sempre me recusei a fazê-lo não só por causa do custo (mais de US$ 350), que me forçaria a ficar mesmo se quisesse ir embora mais cedo. Além disso, acho que o ambiente não condiz com Carlitos. (Não é verdade; ele vai a uma festa chique em "Luzes da Cidade".)
Charlie, porém, leva a melhor. Sua escolha: um minueto realizado num salão dourado cheio de espelhos do Hotel Danieli. O ingresso dá direito a um jantar, aulas de dança e música de câmara ao vivo. Ao redor da mesa de jantar, uma centena de pessoas em trajes elaborados conversa baixinho enquanto exibe suas boas maneiras à mesa. Entre um prato e outro, os participantes aprendem a dançar o minueto com uma trupe de dança italiana. Muitos exibem a postura adequada _ elegantes, eretos _ detalhe que não parece fazer parte da vida diária. Sem dúvida, não parece o século XXI. A diversão desse pessoal é atemporal.
"Acho que todos nós buscamos aquela elegância do passado", diz uma mulher sentada à minha mesa num vestido de seda lilás de decote pronunciado. Nossos companheiros concordam, balançando a cabeça. Bebemos vinho à luz de velas e, depois, dançamos devagar, graciosamente. A noite voa. Já é meia-noite quando me dirijo ao Florian (é difícil se livrar de velhos hábitos). O lugar está lotado e quem está na fila de espera se mostra impaciente. Depois de dez longos minutos de empurrões, sem poder chamar a atenção do porteiro (se tivesse me visto, com certeza teria me deixado entrar), recebo uma cotovelada nas costelas de um "deus grego" que não parava de repetir "Permesso, permesso" _ com licença _ que se dirigia para a porta. Não digo nada, retribuo a cotovelada e deixo a multidão para trás. Com pena de mim mesma, caminho devagar pelas minhas ruas favoritas perto do teatro Fenice e passo por uma mulher numa fantasia multicolorida. Mostro minha aprovação silenciosamente e sua gratidão é visível. Então, ao ouvir vozes, me apresso e entro numa viela minúscula onde encontro três homens de sobretudo e perucas imensas cantando uma ária a cappella. De frente para eles, levanto a bengala e brinco de maestrina. Suas vozes se levantam, mais animadas. Várias pessoas tiram fotos. Os cantores puxam Charlie para mais perto, para sair na foto _ e, por um segundo, me ocorre que esse cenário de rejeição e redenção é o mais chapliniano que já vivenciei.
Na manhã seguinte, ao nascer do sol, de bengala na mão e fantasia na bagagem, caminho até o vaporetto rumo ao aeroporto. Passo pela feira de peixes, onde vejo camarões, caranguejos e filés de peixes que não reconheço. Numa bandeja estão várias enguias gordas. Vejo que pelo menos uma delas ainda se mexe e penso que, talvez, como provavelmente Chaplin faria, eu devesse jogá-las de volta na água e sair correndo. Numa coincidência cósmica, o peixeiro era a cara do grandão de bigode que sempre atazana o pobre Carlitos nos filmes. Eu deixo as enguias no mesmo lugar.
No vaporetto, aproveitando meus últimos minutos em Veneza, vejo na água os movimentos tranquilos de um gondoleiro que se inclina para frente para se movimentar melhor. Instintivamente meu corpo faz o mesmo e já começo a pensar no meu próximo Carnevale. Aí noto uma jovem asiática me encarando, olhando para a minha bengala. Com um sorriso de descoberta, ela se reclina no assento e me diz: "Você é o Charlie Chaplin".
Mesmo livre para falar, prefiro só sorrir.
(A editora Sheila Buckmaster e Charlie Chaplin pretendem participar do Carnevale em 2013.)
The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.

TURISMO - EMIRADOS ÁRABES

Emirados na primavera

Localizado na linha do Trópico de Câncer, o clima nos Emirados Árabes é agradável até o mês de maio.


De novembro a maio é a melhor época para visitar os Emirados Árabes. Você vai ver de perto o que em 1970 não passava de um ponto distante e arenoso e hoje é uma festa de shopping centers e hotéis sem derreter sob o sol do deserto. No entanto, não ignore o seu passado, pois algumas partes da cidade escondem pérolas culturalmente muito ricas.

É surpreendente como existem poucos sinais de que Dubai tenha sido algo além do parque de diversões que é hoje – e mais surpreendente ainda é verificar isso quando se leva em conta como os cidadãos dos Emirados Árabes valorizam a tradição.
Muitas vezes esquecidas em meio ao glamour da Dubai cinco estrelas, partes da cidade escondem pérolas culturalmente ricas. Na maioria das cidades, passear inclui desvendar castelos antigos, investigar fortes históricos ou perambular por galerias e museus. As coisas são um pouco diferentes em Dubai. Apesar de haver um grupo de prédios históricos concentrados na área próxima ao Creek (riacho), a maior parte dos visitantes do Emirado se concentra numa série de hotéis cinco estrelas e seus restaurantes.
Com fome? Então você veio ao lugar certo. Estão pipocando cada vez mais lugares para comer em Dubai. Em todos os cantos da cidade, há uma grande variedade de sabores para agradar às mais diversas nacionalidades que se estabeleceram neste Emirado em crescimento. É possível encontrar comida de quase todos os países aqui, desde a Etiópia até o Sri Lanka. Eis um dos muitos privilégios de visitar ou morar em Dubai. As pessoas, porém, não vêm aqui para sentar no chão de um autêntico restaurante do Iêmen, mas sim para desfrutar a boa vida, e isso significa saborear comidas gourmet em cenários cinco estrelas.
Você nunca vai passar sede em Dubai. Apesar de o consumo de bebidas alcoólicas ser desestimulado – é altamente taxado e restrito aos hotéis e principais clubes –, a cidade é cheia de pubs, bares e lounges. Ao confinar esse tipo de estabelecimento às instalações dos hotéis, Dubai pode ter perdido o charme dos botecos mais simples à beira da praia, mas, em compensação, você encontra suntuosos locais ao ar livre, bares descolados e, pasme, cópias idênticas das piores redes do Ocidente.
Os hotéis em Dubai vão muito além de simplesmente lugares para descansar. Como, na maioria das vezes, só os hotéis podem ter restaurantes e bares onde a bebida alcoólica é permitida, eles acabam sendo a espinha dorsal da vida social tanto entre os moradores locais como entre os turistas.
Ah, as compras... Turistas vêm até a cidade arenosa para ver se os boatos são verdadeiros – é verdade que há mesmo mais de cem shoppings? Bem, sim e não. O calor escaldante de metade do ano significa que o ambiente não é apropriado para compras a céu aberto. Para atrair a clientela, as melhores lojas se juntam na comodidade do ar-condicionado dos shoppings. Mas não espere que todos estes centros sejam focos de grandes rótulos e marcas famosas. Há cerca de doze que valem a pena visitar – os outros atendem às necessidades diárias e oferecem apenas lojas básicas.
Excursões ao deserto - Nada pode realmente justificar o absurdo de 4x4 nas estradas de Dubai, mas se você leva em conta o enorme parque de diversões que o deserto oferece a estrangeiros, moradores e turistas, a coisa começa a fazer sentido. Não é preciso dizer que o conhecimento é a chave para dirigir no deserto. É altamente recomendável que você viaje com um guia experiente para não se perder e evitar os perigos. Operadores de turismo - Arabian Adventures - (303 4888/www.arabian-adventures.com). Cruzeiro de dhow (set-maio, Dhs305; junago, Dhs280), safári com volta de camelo e sandboard (Dhs230) e passeios com caféda- manhã (Dhs 230, Dhs165 meia); Arabian Desert Tours - (268 2880) Safári no deserto (Dhs180; Dhs150 meia), quadriciclo (Dh300; Dhs200 meia) e passeio na cidade (Dhs120; Dhs70 meia); Desert Rangers - (340 2408/www.desertrangers.com). Safári com buggies nas dunas (Dhs525), safári nas piscinas de Hatta (Dhs325; Dhs230 meia) e safári com esqui nas dunas (Dhs195; Dhs135 meia).
Abu Dhabi - Quando comparada com a corrida frenética de Dubai, Abu Dhabi ainda está dando a largada no turismo. A pouco mais de uma hora de viagem, ela parece estar realmente decidida a recuperar o tempo perdido na construção de infra-estrutura fundamental para atrair visitantes do mundo todo. Apesar das rápidas mudanças nas últimas décadas, ainda é um lugar tranqüilo, reservado e soberbo, às margens das águas claras do Golfo Pérsico. Os moradores da cidade dirão que esse é o coração cultural dos Emirados Árabes Unidos – e eles têm razão. A cidade firmou recentemente vários importantes contratos culturais. Em 2013 deve ser inaugurada na cidade uma nova filial do Louvre, o museu de arte de Paris famoso no mundo todo – a primeira filial fora da França; outro gigante mundial da arte, o Guggenheim, deve chegar em Abu Dhabi nos próximos anos.